Inúmeras são as histórias sobre a vida de Rabi Kaduri. Muitos lhe atribuíam poderes milagrosos. No universo da Cabalá, era considerado autoridade suprema. Para o mundo judaico, suas previsões eram um alerta para os doentes, pobres e desamparados, seus conselhos e bênçãos, um alento.
O mundo judaico perdeu no dia 28 de Tevet (28 de janeiro), um shabat, o Rabi Yitzhak Kaduri, o mais respeitado cabalista da atualidade, vítima de pneumonia. Mais de 200 mil pessoas lotaram as ruas de Jerusalém, durante horas, acompanhando o cortejo fúnebre ao cemitério de Har Menuchot, onde o sábio foi enterrado. Segundo as autoridades, este foi um dos maiores funerais registrados na memória recente de Israel, comprovando a reverência e o carinho que o venerado Rabi despertava no seio da sociedade israelense. Inúmeras personalidades religiosas e laicas, jovens e idosos, representantes de todas as correntes do judaísmo acompanharam Rabi Kaduri à sua última morada. Na ocasião o presidente de Israel, Moshe Katsav, disse: "Perdemos um dos maiores líderes espirituais desta geração, uma figura de enorme estatura, que velava por nosso povo... O rabino Kaduri deu um exemplo a todos nós ao se desprender do materialismo. Era um modelo da espiritualidade e da moralidade que acompanham o povo judeu, há gerações".
Uma vida dedicada à Torá
Homem de dons intelectuais e espirituais únicos, o Rabi Kaduri dedicou sua longa vida à Torá e a seu povo. Chamado de Rosh Hamekubalim, que poderia ser traduzido como o "Líder dos Cabalistas", era o mais respeitado mekubal da atualidade. Sua espiritualidade e profundos conhecimentos do misticismo judaico o tornavam único, reconhecido dentro e fora de Israel.
Rabi Kaduri nasceu no Iraque, por volta de 1897, quando o país ainda era parte do Império Otomano. Nem sua família ou discípulos mais próximos sabem, com exatidão, sua idade. Supunha-se que tivesse 106 anos. Inúmeras são as histórias e lendas que povoam sua longa e abençoada vida. Desde jovem, conforme a tradição sefaradita, escolheu uma profissão que lhe garantisse o sustento, enquanto se dedicava ao estudo da Torá. Assim sendo, o grande Rosh Hamekubalim encadernou livros durante a maior parte de sua vida.
Antes dos 13 anos, começa a estudar com o Rabi Yossef Hayim, de Bagdá, líder espiritual do judaísmo oriental e um dos maiores mestres das últimas gerações. Abençoado com dotes intelectuais privilegiados, foi um dos últimos discípulos do Rabi Hayim, também conhecido como Ben Ish Hai. Conta-se que o sábio abençoou o jovem Rabi Kaduri com uma vida longa - o que de fato ocorreu. Mestre tanto em Halachá como em Cabalá, Ben Ish Hai transmitiu a Rabi Kaduri, além de seus conhecimentos, grande amor e dedicação pela Terra de Israel. Aos 16 anos, já considerado uma autoridade entre os rabinos de Bagdá, partiu rumo a Eretz Israel. Uma vez lá estudou na Ieshivá Porat Yossef, em Jerusalém, tendo como professores grandes nomes do misticismo, que viviam e estudavam na cidade desde o início do século XIX. Entre seus mestres contam-se o rabino Salman Eliyahu, pai do Rishon Le'Tzion, o rabino Mordehai Eliyahu; o rabino Yehuda Petaya e o rabino Efraim Cohen, diretor e coordenador daquela prestigiada Ieshivá.
Após a Guerra da Independência de Israel, Rabi Kaduri ingressou na Ieshivá Bet-El, passando a residir no bairro de Bucharim, em Jerusalém, da forma modesta que sempre o caracterizou. Mesmo sem jamais ter publicado nenhuma obra, era respeitado por sua erudição e sabedoria. Ainda que segmentos mais céticos tenham duvidado de seu poder de cura ou de suas visões proféticas, sempre houve consenso em relação aos seus profundos conhecimentos sobre a Lei e o misticismo judaico. Quando, em 1990, visitou o Rebe de Lubavitch, este lhe disse que o nome Kaduri, que significa "globo" em hebraico, indicava a grande influência que ele exercia, não apenas sobre Israel, mas sobre todo o mundo.
Milhares de pessoas dão testemunho de sua sabedoria, visões e poderes milagrosos. Durante uma entrevista publicada logo após o seu falecimento, um dos discípulos do Rabi Kaduri disse ao jornal israelense Haaretz: "Milhares foram beneficiados por suas bênçãos - vítimas de câncer, doentes cardíacos e casais sem filhos recuperaram sua fé e esperança na vida".
À procura de ajuda e de uma berachá, muitos iam até Jerusalém. À porta de sua residência podiam ser vistas longas filas de pessoas que, pacientemente, esperavam para ser atendidas pelo Rabi. Nos últimos anos, vivia em um apartamento anexo à sinagoga construída em sua homenagem pela família Safra.
Durante esta última década, muito enfraquecido, o Rabi Kaduri, com sua longa barba branca, mal tinha forças para falar. Suas palavras eram transmitidas pelos filhos, aos quais as sussurava, com grande esforço. Devido à sua saúde frágil, procuravam mantê-lo mais distante do público. Ainda assim, quem o quisesse, podia vê-lo na sinagoga. Apesar de não conseguir segurar o sidur nem tampouco fazer qualquer movimento sozinho, não faltava aos serviços religiosos.
A forma mais simples de se aproximar dele para obter uma bênção era participar das preces matutinas. O "brilho em seu rosto" e o sorriso acalentador com que recebia quem quer que fosse chamavam a atenção de todos que se aproximavam. "Era como se houvesse uma aura especial a envolvê-lo", dizem seus seguidores. Quando era mais jovem e, com passos firmes, caminhava pela sinagoga carregando a Torá, era comum as pessoas dele se aproximarem para tocar suas mãos ou apenas o talit que o envolvia.
A Guerra de Iom Kipur, em 1973, teve um papel fundamental no aumento de sua popularidade fora dos círculos religiosos e cabalistas. Movidas pelo desespero e atraídas pela fama do sábio, dezenas de famílias de soldados desaparecidos em combate o procuravam para obter informações sobre seus entes queridos.
Foi, no entanto, a partir de meados da década de 1990 que seu nome atravessou o país de norte a sul, justamente quando começou a se envolver na vida política nacional. Uma simples palavra de Rabi Kaduri era capaz de mover montanhas políticas. Para muitos, não há dúvidas de que o magnetismo exercido pelo rabino nos meios tradicionalistas e religiosos contribuiu para o sucesso dos setores mais ortodoxos nas eleições israelenses de 1996. Além de dar sua bênção ao então candidato a primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, que realmente venceu o pleito, também deu explícito apoio ao Partido Shas, que conquistou dez cadeiras na Knesset. Em 1998, realizou-se um encontro pouco usual na Jordânia entre o Rabi Kaduri e o Rei Hussein. O Rabi, que foi à Jordânia na qualidade de convidado pessoal do Rei, foi levado num helicóptero pilotado pelo próprio Hussein ao túmulo de Aaron, irmão de Moshé Rabênu, sepultado no Monte Hor.
Nesse mesmo ano, o Rabi Kaduri afirmou que o ditador iraquiano devia ser removido do poder. "Que o medo caia sobre eles (os iraquianos)", foram suas proféticas palavras. Em 1999, se opôs abertamente a um plano de paz com a Síria, que previa a devolução das Colinas do Golã. Na ocasião, disse textualmente que "a região não deveria ser devolvida aos sírios". Um ano mais tarde, as negociações seriam abandonadas.
Em 2000, Rabi Kaduri revelou ter tido uma visão acerca do então pouco conhecido deputado Moshe Katsav, segundo a qual este seria favorecido na eleição. Atual presidente de Israel, Katzav derrotou o trabalhista Shimon Peres na disputa pelo cargo.
Em setembro do ano de 2005, Rabi Kaduri conclamava os judeus do mundo todo a viver em Israel, alertando sobre os grandes desastres naturais que ocorreriam em diferentes partes do mundo. Um de seus derradeiros pronunciamentos descreve a vida em Israel após a chegada do Mashiach e a era de Luz, paz e justiça que, então, envolverá o planeta em que vivemos.
Mesmo hospitalizado desde 15 de janeiro, o Rabi continuou a receber e abençoar os que o visitavam e a estudar Torá. Após alguns dias, pediu para ter alta para poder encontrar-se com aqueles que o precisavam de sua ajuda.
Rabi Kaduri, de Abençoada memória, deixou sua segunda esposa, a Rabanit Dorit, filhos e inúmeros netos e bisnetos, além de centenas de milhares de judeus, em toda a parte, inconsoláveis com sua partida deste mundo.
Por que sou judeu?
1. Não é por acreditar que o judaísmo contenha tudo o que existe na história humana. Judeus não escreveram os sonetos de Shakespeare ou os quartetos de Beethoven. Não presenteamos o mundo com a serena beleza de um jardim japonês ou com a arquitetura da Grécia antiga. Admiro as tradições que lhes deram origem. Aval zé helanu. Mas isto é nosso.
2. Não sou judeu em razão do anti-semitismo ou para evitar dar a Hitler uma vitória póstuma. O que me acontece não define quem sou: O nosso é um povo da fé, não do destino.
3. Não sou judeu por pensar que somos melhores, mais inteligentes, virtuosos, criati-vos, generosos e bem sucedidos que os outros. A diferença não está nos judeus, mas, sim, no judaísmo; não no que somos, mas no que somos convocados a ser.
4. Sou judeu porque filho do meu povo ouvi o chamado para adicionar meu capitulo a esta história não finalizada. Eu sou uma etapa nesta jornada, um elo de ligação entre as gerações. Os sonhos dos meus ancestrais vivem em mim e sou guardião de sua confiança, agora e no futuro.
5. Sou judeu porque nossos ancestrais foram os primeiros a ver que o mundo tem um propósito moral, que a realidade não é uma guerra incessante entre os elementos para que sejam idolatrados como deuses, e nem que a história é uma batalha na qual o mais forte tem sempre razão e que o poder deve ser satisfeito. A tradição judaica moldou a moral de civilização ocidental, ensinando pela primeira vez que a vi-da humana é sagrada, que um ser humano nunca pode ser sacrificado em nome das massas e que, ricos e pobres, grandes e pequenos, todos são iguais perante D-us.
6. Sou judeu porque sou herdeiro moral daqueles que estiveram presentes ao pé do Monte Sinai e se comprometeram a viver segundo estas verdades, tornando-se um reino de sacerdotes e uma nação sagrada. Sou o descendente de incontáveis gerações de ancestrais que, embora dolorosamente testados e submetidos a amarga provações, permaneceram fiéis aquele pacto quando podiam tão facilmente ter de-sertado.
7. Sou judeu em virtude do Shabat, a maior instituição religiosa do mundo, um tempo no qual não há manipulação da natureza ou de nossos companheiros humanos, onde nos reunimos em liberdade e igualdade para criar, a cada semana, uma antecipação da era messiânica.
8. Sou judeu porque nossa nação, mesmo em tempos de imensa pobreza, nunca desistiu de seu compromisso de ajudar necessitados, de resgatar judeus de outras terras ou de lutar por justiça em prol do oprimido, fazendo estas coisas sem esperar congratulações, mas porque são mitzvot, porque um judeu não poderia fazer menos.
9. Sou judeu porque amo a Torá, e sei que D-us é encontrado não nas forças da natureza, mas nos significados morais, nas palavras, textos, ensinamentos e mandamentos, e porque os judeus, mesmo quando tudo o mais lhe faltou, jamais deixou de va-lorizar a educação como tarefa sagrada, dotando os indivíduos de dignidade e pro-fundidade.
10. Sou judeu em razão da fé apaixonada que o nosso povo nutre pela liberdade, sustentando que cada um de nós é agente moral e que nisto repousa nossa dignidade única enquanto seres humanos e, também, porque o judaísmo nunca permitiu que seus ideais se tornassem inatingíveis, mas em vez disso, traduziu-os em atos que chamamos de mitzvot, e em um caminho ao qual chamamos Halachá, trazendo as-sim o céu à terra.
Eu simplesmente tenho orgulho de ser judeu
Eu simplesmente tenho orgulho de ser judeu
Tenho orgulho de ser parte de um povo que, apesar dos traumas e cicatrizes, nunca perdeu seu humor ou sua fé, sua habilidade de rir dos problemas à sua frente e ain-da acreditar na redenção final; um povo que viu a história humana como uma jornada e nunca deixou de prosseguir e procurar.
1. Tenho orgulho de ser parte de uma era em que meu povo, devastado pelo mais hediondo crime já cometido contra um povo, respondeu revivendo sua terra, re-cobrando sua soberania, resgatando judeus ameaçados em todo o mundo, reconstruindo Jerusalém e provando-se tão corajoso na busca pela paz como na defesa em tempos de guerra.
2. Eu me orgulho do fato de nossos ancestrais sempre terem se recusado a aceitar acomodações prematuras e de que, quando perguntados se "O Messias já chegou?" sempre responderam "Ainda não".
3. Tenho orgulho de pertencer a Israel cujo povo significa "aquele que enfrenta a D-us e ao homem e prevalece". Porque, apesar de amarmos a humanidade, nunca cessamos de lutar com ela, desafiando os ídolos de todas as eras. E apesar de nosso amor eterno por D-us, nunca deixamos de questioná -Lo - e nem ELE a nós.
* Rabino Jonathan Sacks. Texto extraído do livro de sua autoria "Uma Letra da To-rá Sacks. Reproduzido aqui com autorização.
Os judeus acreditam que chegamos ao mundo com pureza original, e não com pecado original. Os judeus não acreditam no pecado original.
Judaísmo Messiânico Não Existe
ENFIM… Os judeus não acreditam na existência do pecado original. O conceito do pecado original indica simplesmente pelo fato de que Adão e Eva trouxeram morte ao mundo por terem pecado no Jardim do Éden. Segundo este conceito, cada ser humano morre porque Adão e Eva cometeram um pecado, e pelo pecado deles castigam todos os seres humanos com a morte. Contudo, a Bíblia descreve algo inteiramente diferente. Adão e Eva foram retirados do jardim do Éden porque se permanecessem ali, poderiam comer o fruto da Árvore da Vida, que os faria imortais (quando desde o princípio Deus os fez mortais). A crença de que eles trouxeram morte ao mundo e que morremos porque eles pecaram é incorreta. Como questão de fato bíblico, a resposta à pergunta demonstra que uma pessoa não pode morrer como castigo pelos pecados cometidos por outra. Morremos porque a morte é uma parte natural da existência e este é o nosso destino desde a criação dos primeiros seres humanos. Portanto, Adão e Eva comeram da fruta da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal conscientemente, mas Deus não os tirou do jardim por esta razão. Deus os tirou dali para evitar que eles comessem do fruto da Árvore da Vida e se tornassem imortais.
UMA EXPLICAÇÃO COMPLETA… O conceito cristão do pecado original é o do pecado cometido por Adão e Eva no jardim do Éden. Dali em diante, todos os seres humanos nascem não apenas com uma tendência ao pecado, mas também com a culpa de Adão e Eva, e por esta culpa todos os seres humanos morrem (ver Coríntios 15:21-22). Em outras palavras, Adão e Eva trouxeram morte ao mundo como resultado de seu pecado, e devido a este pecado, todos os seres humanos são pecadores.
Isto é simplesmente não é bíblico. O texto bíblico nos diz que Adão e Eva não foram tirados do jardim do Éden porque pecaram (observe, por favor, que na primeira vez em que a Bíblia utiliza o termo “pecado”, não o faz em referência a Adão e Eva. Esta se refere à inveja de Caim contra Abel em Gênesis 4:7). O que despojou Adão e Eva do jardim do Éden foi a Árvore da qual Deus não queria que eles comessem. Esta era a Árvore da Vida.
Mas pensem racionalmente! Como Adão e Eva teriam que comer o fruto da Árvore da Vida para serem imortais, se Deus os fez mortais desde o início! Ele os criou de uma maneira tal que a morte fosse uma parte natural de sua existência, a partir do momento de sua criação!
O texto bíblico de Gênesis 3:22-24 nos diz que Adão e Eva foram quase como Deus e os anjos, porque sabiam a diferença entre o Bem e o Mal. Deus e os anjos sabem a diferença entre o Bem e o Mal, mas Deus e os anjos também são imortais. Por Adão e Eva terem comido o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e o Mal, eles sabiam a diferença entre o Bem e o Mal como Deus e os anjos. Contudo, Adão e Eva ainda não eram imortais porque ainda não haviam comido o fruto da Árvore da Vida. Por isso Deus os afastou da Árvore da Vida retirando-os do Jardim. Isto significa que Adão e Eva não trouxeram morte ao mundo! Em outras palavras, os seres humanos não morrem devido ao pecado deles. Nós morremos pois Deus fez a morte como parte da vida a partir do momento da Criação. Não existe o pecado original!
“E o Eterno Deus disse: ‘Eis que o homem é como um de Nós, conhecedor do Bem e do Mal: agora, pois, talvez estenda sua mão e tome também da Árvore da Vida, e coma e viva para sempre.’ E o Eterno Deus o enviou do Jardim do Éden – de onde havia sido tomado - para cultivar a terra. Colocou, pois, o homem para fora, e o pôs ao oriente do Jardim do Éden – os querubins com uma espada flamejante que se revolvia para todos os lados, a fim de guardar o caminho da Árvore da Vida.” (Gênesis 3:22-24)
Lembre-se também que ninguém pode morrer pelos seus pecados. Isto significa que ainda que se acredite que Adão e Eva pecaram no Jardim do Éden (o que não fizeram), seus descendentes não podem morrer, e não morreram, pelo pecado de Adão e Eva.
* Autor - Rabino Stuart Federow, reproduzido aqui com autorização.
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